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Negros são ações em baixa no universo das empresas da Bolsa de Valores

23 de janeiro de 2025

Negros são ações em baixa no universo das empresas da Bolsa de Valores

Texto: José Vicente para Veja. Num momento em que a diversidade e inclusão têm sido reconhecidas como políticas e ferramentas estratégicas de mais produtividade, criação, lucro, rentabilidade, maior prestígio e reconhecimento reputacional nos grandes centros políticos e econômicos do mundo, e a filosofia do ESG vem ganhando ares de consenso e de valor nos ambientes públicos e privados do nosso país, o estudo da MZ Consult que compilou as informações das ações de governança, questões ambientais, sociais e raciais divulgado nos formulários de referências da Comissão de Valores Mobiliários pelas empresas em maio de 2022, jogou uma ducha de água fria naqueles sempre otimistas da capacidade de indução e mudança autônoma e voluntário do mercado. O formulário estruturado pela CVM através da resolução 59 é o principal documento a ser preenchido pelas empresas de companhia aberta. Agora, além das informações ambientais e sociais, passa a incluir as raciais. Com isso, passam a ser uma fonte de qualidade das informações e de evidências do grau de diversidade e de verdade nas empresas ali representadas. Vale lembrar que a resolução 59 é um retrato para dizer o quanto as companhias estão profundamente alinhadas com o direcionamento dos mais diversos ambientes de regulação, supervisão e fiscalização, assim como, as orientações de investidores públicos e privados do Brasil e do exterior. Todavia, das 358 empresas listadas na bolsa na B3, ela mesma entusiasta, estimuladora e realizadora de importantes ações e de implementação de medidas de valorização do ESG, os pretos e pardos não chegam a 4% dos administradores. Nos conselhos de administração, a situação é ainda pior, menos de 3%. Entre os cargos de liderança, os negros somam 23%. Tanto quanto esse apagão de negros nos quadros de liderança nessas empresas é de surpreender o fato de que 71% delas afirmaram no formulário de referência que adotam práticas ESG, o que junto com a percepção de sempre agora comprovada mais uma vez com os resultados do estudo, denotam que o que as empresas falam não é o que elas fazem. Em outras palavras a branquitude continua imperando e os negros permanecerão tendo que esperar. É lógico que não preciso o relatório da CVM para saber do óbvio e do que os sentidos sempre souberam. Mas, a cada relatório, medida ou ação que torna visível, conhecida e oficializada a clareza da informação, resta fortalecida efetividade da exclusão e o falseamento e contradição do discurso e da ação. O Relatório da CVM joga luz na escuridão do mercado de ações, das empresas listadas e do real estado da arte do ambiente corporativo. Pode e deve prestigiar o esforço da honesta transformação e da mudança. Da mesma forma, no entanto, deve publicizar, desestimular e punir o engodo, a ambiguidade e a embromação. Leia mais em:

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