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Censo do IBGE revela que há 1,3 milhão de quilombolas em 1,7 mil munic

23 de janeiro de 2025

Censo do IBGE revela que há 1,3 milhão de quilombolas em 1,7 mil munic

Fonte: Governo ela primeira vez na história, os dados censitários brasileiros incluem a população quilombola. O Censo Demográfico 2022, do IBGE, revela que há 1.327.802 quilombolas em todo o país. A maior parte dessa população, 68,2% (905 mil pessoas), vive em Estados do Nordeste brasileiro. Ao todo, os territórios quilombolas estão em 1.696 municípios. As informações foram divulgadas hoje em Brasília durante evento “Censo – Quilombola”, realizado no Palácio do Desenvolvimento. O presidente substituto do IBGE, Cimar Azeredo, disse que a taxa de não resposta nas comunidades quilombola ficou abaixo de 1%. “O IBGE está comprometido com a ampliação da visibilidade de povos e comunidades tradicionais nas estatísticas, com foco nas novas operações”, disse ele. O assessor especial do Ministério do Planejamento e Orçamento, João Villaverde, representou a ministra Simone Tebet no evento. Ele destacou que, assim como os povos indígenas (incorporados no Censo a partir de 1991), os dados censitários da população quilombola passarão a fazer parte de todos os censos futuros. “Há dias de luta, dias de derrotas e há dias de vitórias. Hoje é um dia de vitória. A gente agora sabe quantos territórios quilombolas temos no Brasil. Sabemos qual é o tamanho da população quilombola”, afirmou Villaverde. Nas próximas semanas, o IBGE divulgará os dados completos de todos os 1,6 milhão de quilombolas: grau de escolaridade, acesso a saneamento, renda, idade. “Quilombo é verbo e adjetivo. É o ar que respiro, é o sangue que corre nas minhas veias. Através do quilombo eu pude ir atrás da minha história e me conectar com a minha ancestralidade”, afirmou o chefe da assessoria de participação social e diversidade do MPO, Anderson Quack. Para Roberta Eugênio, secretária executiva do Ministério da Igualdade Racial, a divulgação do Censo Quilombola é uma forma de o país “resolver um pouco a sua história”, em referência ao passado brasileiro, de sufocamento social e político de populações tradicionais. A secretária executiva substituta do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Raquel Martins, chamou atenção para a semana em que a divulgação dos dados ocorre: “no último dia 25 celebramos o dia internacional da mulher negra, latino-americana caribenha e da diáspora e o dia de Tereza de Benguela”. Cesar Aldrighi, presidente do Incra, falou sobre a representatividade do local escolhido para o evento do IBGE: “este é um espaço para debater as questões de reforma agrária, especialmente das comunidades remanescentes de quilombos, que nos últimos quatro anos foram silenciadas”. A representante do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), Florbela Fernandes, afirmou que o trabalho do IBGE serve de inspiração e exemplo para outros países da diáspora africana. Denildo Moraes, coordenador executivo da Articulação das Comunidades Negras Rurais e Quilombolas (Conaq), reforçou a necessidade de o IBGE realizar a Contagem da População em 2025, seguida do Censo Agro, previsto para 2026. A divulgação dos primeiros dados da população quilombola abre a temporada de anúncios do IBGE e do Ministério do Planejamento e Orçamento decorrentes do Censo Demográfico. Na próxima semana, entre 31 de julho e 02 de agosto, o IBGE realizará evento para 1,3 mil servidores da casa para a avaliação técnica dos trabalhos. Em seguida, a 7 de agosto, o IBGE, o MPO e o Ministério dos Povos Indígenas estarão em Belém (Pará) para a divulgação do Censo – Terras Indígenas. Até o fim do mês de agosto devem ser divulgados, também, os dados censitários iniciais da população que vive em favelas e comunidades de todo o país.