A partir da entrevista com 767 criadores de conteúdo, Squid, Black Influence, Sharp, Site Mundo Negro e YouPix se juntaram para avaliar as diferenciações dentro da atividade no relatório “Black Influence: Um retrato dos creators pretos do Brasil”. Os resultados mostram como o racismo estrutural impacta o universo publicitário e influencia em distinções profissionais e monetárias em relação a criadores negros.

De acordo com o relatório, 57% dos entrevistados são criadores brancos, seguidos por 22% de criadores pardos17% de pretos3% de amarelos e 1% de indígenas, seguindo as categorias estipuladas pelo IBGE. Dos influenciadores que participaram do levantamento, apenas 29% dos indígenas e 36% dos pretos consideram o mercado de influência inclusivo.

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Ao responderem se já participaram de campanhas publicitárias, cerca de 64% dos participantes disse que “sim”. Desses, 67% dos influenciadores brancos deram a resposta positiva, enquanto 47% dos criadores de conteúdo pretos também afirmaram já terem trabalhado com alguma marca. Quando a estimativa se refere aos entrevistados indígenas, no entanto, a porcentagem cai para 14%.

De todas as categorias raciais, os influenciadores pretos se mostraram como os menos cotados para participar de campanhas publicitárias, com 17,2% abaixo da média das respostas.

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Ainda segundo os dados recolhidos, influenciadores negros tendem a ser mais procurados para tratar de temas relacionados à racialidade e assuntos afins.

No que diz respeito à remuneração, a equidade também não faz parte das réguas medidoras de influência. Creators brancos ganham mais do que todas as raças consultadas, com uma vantagem de 12% sobre os segundos colocados, os criadores pretos.

No que diz respeito à frequência de recebimento de discursos de ódio ao executar um trabalho para alguma marca, creators pretos e indígenas são líderes nos dados: 38% dos influenciadores pretos e 43% dos indígenas afirmaram ter recebido algum tipo de discurso de ódio durante campanhas publicitárias.

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Em entrevista recente à “GQ Magazine” britânica, o ator John Boyega, intérprete de Finn na saga “Star Wars“, comentou sobre o racismo estrutural na indústria do entretenimento — que se conecta muitas vezes diretamente com o mercado de influência — e na disparidade de tratamento, salário e vivências entre artistas negros e brancos em Hollywood.