A Iniciativa Empresarial, lança a série Para Entender o Racismo e o Antirracismo. 

O empoderamento através da educação e do alargar das fronteiras do conhecimento, são os principais caminhos para a superação das mazelas decorrentes do Racismo. Buscar aprofundar-se sobre o tema no Brasil, pode ser uma tarefa árdua sem minimamente um guia ou orientação básica.  O tema raça e negro, passam ao largo da educação oficial brasileira.

A série apresentará livros de introdução ao tema negros e racismo no Brasil, com a esperança de auxiliar na democratização, inspiração e disseminação do conhecimento.

Começamos com um tema atual, mas já antigo para academia.

Em 1999, Antonio Sérgio Alfredo Guimarães já publicava a 1ª ed. de “Racismo e Antirracismo no Brasil”.

As #blacklivesmatter,#BlackOutTuesday, são gestos importantes, mas temos que ir além.

Já que tantos publicaram que não basta ser racista temos que ser antirracistas, seria uma boa ideia aprofundar-se no tema iniciando por uma leitura básica do que é Racismo e Antirracismo.

Veja um trecho da obra, páginas 11 e 12:

A tese que defendo pode ser resumida em alguns parágrafos, o que faço a seguir. “Raça” é um conceito que não corres ponde a nenhuma realidade natural. Trata-se, ao contrário, de um conceito que denota tão somente uma forma de classificação social, baseada numa atitude negativa frente a certos grupos sociais, e informada por uma noção especifica de natureza, como algo endodeterminado. A realidade das raças limita-se, portanto, ao mundo social. Mas, por mais que nos repugne a empulhação que o conceito de raça” permite-ou seja, fazer passar por realidade natural preconceitos, interesses e valores sociais negativos e nefastos, tal conceito tem uma realidade social plena, e o com bate ao comportamento social que ele enseja é impossível de ser travado sem que se lhe reconheça a realidade social que só o ato de nomear permite

O racismo é, portanto, uma forma bastante especifica de “naturalizar” a vida social, isto é, de explicar diferenças pessoais, sociais e culturais a partir de diferenças tomadas como naturais, A atitude na qual se baseia o racismo, assim como todas as outras formas de naturalização do mundo social, está presente – para ficar com exemplos corriqueiros, banais e, para muitos, inofensivos quando se considera que alguém, portador de uma certa identidade racial ou regional como um baiano, por exemplo), deva reagir a condições climáticas ou sociais de uma certa maneira “predita por sua identidade social (sentir mais frio ou menos calor que um gaúcho, por exemplo, independentemente da história de vida e da compleição física e orgânica dos dois indivíduos ou ainda quando se acha que um certo Estado da Federação e menos desenvolvido que outro porque o primeiro é povoado por mestiços, ou quando se considerarmos naturais de um Estado mais musicais que os de outro Estado, em razão do sangue negro que corre em maior quantidade nas suas veias. Em to dos estes exemplos, encontra-se presente, de modo implícito, a ideia de uma natureza geral que determina aspectos individuais ou socioculturais.

A noção de raça, neste sentido, difere de outras noções “essencialistas”, como a de sexo, por exemplo, embora se preste as mesmas práticas discricionárias e naturalizados do mundo social, em pelo menos dois aspectos fundamentais: em primeiro lugar, porque a noção de raça não se refere a nenhuma diferença física inequívoca, como ocorre com a noção biológica de sexo (cuja naturalidade, para ser suplantada, precisa da noção de gê nero); segundo, porque a noção de raça classifica os indivíduos segundo critérios ambíguos, mas justificados na teoria espefica, em que a ideia de “raca” é central

Ora, se o que eu digo é verdade, então cada racismo só pode ser compreendido a partir de sua própria história. Dai por que, no primeiro capítulo, procuro desvendar o conceito de raça e de racismo para, no segundo, entender a lógica mais geral do racismo brasileiro a partir da formação de nossa identidade nacional e regional enquanto povo. Desde logo se destaca, nessa busca, a noção nativa de “cor” e o caráter assimilacionista e universalista do modo brasileiro de se identificar, a si e aos demais. Se somos assimilacionistas ao nos identificar, temos forçosamente de discriminar o Outro racial pelas diferenças (marcas físicas e culturais rais) que não conseguimos assimilar. Dai esta noção, tão central.