Mulher negra, política, professora e ativista é ícone de estudos sobre o movimento negro no Brasil.

Lélia Gonzalez foi antropóloga, política e militante brasileira. Fundadora do Movimento Negro Unificado, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e também atuou no Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Filha de pais pobres e nascida em Belo Horizonte, Lélia se dedicou aos estudos acadêmicos para entender as contradições e a branquitude na sociedade brasileira. Nisso, ela se aprofundou na militância do feminismo negro e no Candomblé, para explicar parte da cultura do país.

Entre 1985 e 1989, Gonzalez atuou no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), devido a sua participação na militância em defesa da mulher negra.

Ícone da sociologia brasileira, seus estudos e escritos deixaram um legado para as futuras gerações brasileiras, que encontraram em Lélia um modelo de força e luta.

Em vida, Lélia publicou os livros Lugar de negro (1982, em parceria com o argentino Carlos Hasenbalg) e Festas populares no Brasil (1987), e vários ensaios e artigos. Seus escritos eram encenados na ditadura política e na emergência dos movimentos sociais.

Lélia morreu aos 59 anos, vítima de infarto no Rio de Janeiro, cidade em que se mudou quando era criança, firmou seus estudos e trabalhava como professora.Roda VivaEm entrevistas recentes no programa Roda Viva, Lélia Gonzalez tem sido sempre citada em pautas que abordam o racismo, a desigualdade social e o movimento negro no Brasil.

A filósofa Djamila Ribeiro, disse que vai pela linha de Gonzalez para falar sobre colorismo no Brasil.

Já o professor e jurista Silvio Almeida, em sua participação no programa, deu várias indicações de livros para entender as questões do racismo estrutural e do movimento negro. Os livros de Lélia não poderiam ficar de fora. A entrevista foi vista como uma grande aula.