Esta jovem criou, pelo Twitter, ação de doação de livros para negros

Para combater a desigualdade social e o racismo, Winnie Bueno criou um projeto que une doadores de livros a estudantes e leitores negros

Fonte: Marina Verenicz, da Você S/A


Em novembro de 2018, Winnie Bueno, de 31 anos, fez uma provocação em seu perfil no Twitter. Ela queria saber o que as pessoas brancas poderiam fazer em prol do ativismo negro. Uma das sugestões foi a doação de livros. Isso fez com que Winnie tivesse a ideia de unir doadores a leitores — uma espécie de Tinder de bibliófilos batizado de Winnieteca.


Doutoranda em sociologia pela Universidade Federal de Pelotas, a gaúcha sempre gostou de literatura, mas tinha dificuldade em arcar com o custo dos exemplares — assim como muitos outros negros do país. “Os livros são instrumentos importantes de transformação. A partir da leitura pode-se diminuir a distância entre brancos e negros, trabalhando a empatia”, diz Winnie.


A ideia chamou a atenção do Twitter, que começou a apoiá-la por meio do projeto Campaign for Change, que trabalha para aumentar a equidade social. Assim, Winnie pôde usar a rede social para colocar sua ideia em prática.


Além disso, o Twitter está desenvolvendo uma ferramenta de chatbot para ajudar na interação dos usuários. “Eu fazia tudo de forma manual e já não estava dando conta da demanda.” Mesmo assim, em 2019, 1 200 livros foram doados.


Em 2020, o objetivo é chegar a 2 000 exemplares — e ela sonha bem mais alto para o futuro. “Minha meta é doar 1 milhão de livros.” Entre os títulos mais pedidos estão os da ativista e filósofa Angela Davis e os da romancista nigeriano-americana Tomi Adeyemi, além de obras técnicas e acadêmicas.