Carolina Moraes, da Folha de S. Paulo

Programa batizado de Retreinar prevê reforço do que já é ensinado aos agentes

A Polícia Militar do estado de São Paulo passará por um novo treinamento a partir de julho para evitar casos de violência policial, como afirmou o governador João Doria (PSDB) nesta segunda-feira (22), em entrevista coletiva. Essa iniciativa começará no quartel do comando geral e depois será implementado na Academia da Polícia Militar do Barro Branco.

Segundo o governador, o programa batizado de Retreinar será feito para “evitar que esse 1% de maus policiais que insistem em usar a violência desnecessária junto à população possa compreender que isso não é aceitável na PM do estado de São Paulo”. O programa, no entanto, não prevê novos protocolos, mas sim o reforço do que já é ensinado à Polícia Militar.

“Os valores que regem a Polícia de São Paulo, que são respeito aos direitos humanos, gestão, trabalhar com as melhores práticas, serão reforçados, serão passados novamente para reavivar”, disse Coronel Alvaro Camilo, secretário-executivo da Secretaria de Segurança Pública. De acordo com Camilo, coronéis serão os primeiros reunidos no programa. Assim, em torno de 15 a 20 dias, o treinamento chegará aos sargentos, cabos e soldados “para que todos relembrem o que aprenderam nas escolas: a proteger a tratar as pessoas como gostariam de ser tratados”.

Medidas visam diminuir violência durante as operações da polícia militar

Sobre os casos de violência policial, o governador afirmou que os policiais com mau comportamento representam menos de 0,4% da PM. “Isso confere que não há qualquer tipo de movimento, práticas crescentes. Faz parte, infelizmente, de uma média que temos que baixar, reduzir, e, se possível, eliminar”, disse.

Das 2.961 vagas para os tenentes existentes na corporação, há um déficit de 450 cargos (15%), cerca de duas vezes a média de formação anual da academia do Barro Branco, a escola de oficiais da PM paulista. Em meio à onda de protestos contra racismo e violência policial nos Estados Unidos, mobilizada pela morte de George Floyd, um homem negro assassinado por um policial, o caso de Guilherme Silva Guedes, 15, ganhou repercussão no Brasil.

O adolescente foi encontrado morto em Diadema na última segunda-feira (15), após ter sido sequestrado. A Polícia Civil já investiga a participação de dois policiais militares na morte. Em seguida, moradores da região protestaram contra a morte de Guilherme, e vídeos feitos por testemunhas e divulgados em redes sociais mostram policiais militares agredindo os manifestantes, supostamente da Vila Clara, na zona sul de São Paulo, em um desses atos.

Este foi o terceiro caso de violência envolvendo policiais militares desde o fim de semana do dia 15, quando 14 policiais foram afastados suspeitos de agressões durante abordagens.