Entidade pede que país abandone ‘política de enfrentamento’ imediatamente
Fonte: Guilherme Amado, da Época
A ONG Educafro denunciou o Brasil à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), afirmando que a política de segurança pública nacional gera um “genocídio” da população negra. “A fim de que essas mortes não sejam devidamente apuradas, a legislação brasileira é conivente com o tratamento dispensado à população negra”, afirmou o advogado Irapuã Santana, consultor jurídico da Educafro e a autor da denúncia. No texto, Santana também afirma que “há uma evidente questão racial” por trás disso, “tendo em vista que 75,5% dos homicídios ocorrem com pessoas negras”.
A Educafro é uma entidade sem fins lucrativos que prepara pessoas negras para ingressar nas universidades.
As denúncias pediram que os dois órgãos internacionais solicitem ao governo brasileiro que “abandone imediatamente a política de enfrentamento que tem gerado um verdadeiro genocídio de sua população negra” e invista em inteligência policial. A ONG criticou o governo federal, especialmente o pacote anticrime de Sergio Moro, e as gestões de Wilson Witzel e João Doria.
Frases de desrespeito aos direitos humanos dos dois governadores foram citadas: “A polícia vai fazer o correto: vai mirar na cabecinha e… fogo”, de Witzel, e “Se o bandido reagir, ele vai para o cemitério”, de Doria.