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Painel online destacou iniciativas que estão sendo realizadas por altas lideranças pelo enfrentamento ao racismo

Organizadora do painel, a Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial também apresentou os resultados de pesquisa inédita sobre o mercado de trabalho dos profissionais negros

Pesquisa “O mercado de trabalho sob a perspectiva dos profissionais negros”, realizada pelo Instituto Data Zumbi para a Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, revela que 64% dos negros sofre preconceito no trabalho. Este e outros dados da pesquisa foram divulgados no painel online “O papel da alta liderança no enfrentamento ao racismo”, que foi conduzido pelo Dr. Raphael Vicente, coordenador da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial e coordenador geral da Universidade Zumbi dos Palmares, as discussões sobre diversidade, contratação profissional, cultura organizacional, além de várias outras iniciativas que visam, acima de tudo, a igualdade, o respeito e a valorização étnico-racial.

Tal como observou o Dr. José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, uma das instituições mais importantes no processo de enfrentamento ao racismo e referência no que tange à educação dedicada aos negros no Brasil. “É preciso reconhecer as potencialidades dos profissionais negros e trabalharmos mais e mais para que sejam inseridos dentro das grandes empresas”, sublinhou o reitor que também reforçou o importante papel das empresas que se uniram à Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial e a todos os movimentos de relevância étnico-racial que têm sido alavancados pela Universidade Zumbi dos Palmares ao longo de sua histórica participação.

Henrique Braun, Presidente da Coca-Cola para América Latina, destacou ser preciso abolir de vez a discriminação racial. Relatou que o denominado Comitê pela Igualdade Racial, implementado pela organização, tem sido a fundamental para identificar “lacunas” no que diz respeito à inclusão de profissionais negros dentro das organizações.

Simone Grossman, Vice-Presidente de RH para a América Latina da Coca-Cola, lembrou das amplas jornadas de trabalho dedicadas às causas dos negros na organização. “Entendemos que somos agentes transformadores dessa agenda de enfrentamento ao racismo”, pontuou.

Carla Crippa, Vice-Presidente Corporate Affairs da Ambev foi taxativa em afirmar que as altas lideranças devem ter a coragem que é preciso mudar e apontou a importância de pensar em todo o “ecossistema” organizacional (fornecedores, clientes, evolução, revisão de critérios, por exemplo) para corrigir a questão do racismo estrutural que ainda prevalece dentro das organizações. “Precisamos unir as pessoas por um mundo melhor”, sublinhou.

Para Luiz Verzegnassi, President & CEO e Global Chief Diversity Officer da GE Healthcare Services, comentou sobre a Cultura do Pertencimento, dizendo que “todos precisam fazer parte das mudanças que estão ocorrendo no mundo quando o tema é o racismo estrutural” e disse que a organização trabalha intensamente com campanhas de educação com o propósito de entender amplamente e eficientemente a questão do racismo ainda presente na sociedade e dentro das organizações.

Gaetano Cruppi, Presidente da Bristol-Myers Squibb (BMS), sabe que ainda há muita diálogo a ser aberto na própria organização que preside e em todas as empresas que querem, de fato, incluir os negros em seus quadros de colaboradores. Ele frisou que, infelizmente, “ainda não estamos todos no mesmo barco”, mas enxerga avanços. Na BMS, por exemplo, o Board of members no Brasil já tem dois diretores negros, o que é altamente positivo.

Javier Constante, Presidente da Dow explicou que a inclusão na organização ainda é muito baixa e exemplificou: “De 1000 colaboradores, só temos 5% de representatividade negra”, o que ainda não representa a importância da equidade racial presente entre as missões da Dow. “Nosso passaporte para a inclusão é a educação. Mantemos uma parceria com a Unicamp, dando um suporte de bolsas estudo, já no estágio inicial dos estudantes, por exemplo”.

Claudia Pohlmann, Vice-Presidente de Recursos Humanos América Latina da Corteva, disse que começou o ano com novas vagas na empresa com perfis de diversidade e que construíram um banco de diversidade e foram assertivos dentro do chamado Projeto Expansão. “55% foram dentro dos perfis da diversidade”, disse ela que está muito confiante para 2021 no quesito diversidade.

Gesner de Oliveira, sócio da GO Associados. Ex-Presidente do CADE e da SABESP destacou que segue com o forte objetivo de difundir ideias, cooperar com o aprimoramento do intitulado Índice de Igualdade Racial nas empresas.

Glaucia Teixeira – Vice-Presidente de RH da Novelis falou da Jornada de Transformação que iniciou em 2014, primeiramente com o programa global orientado para mulheres e, em 2017, foi ainda mais solidificada com foco em gênero e etnia. E disse que a produtividade da empresa está totalmente alinhada à crença cultural da organização que é “faça o certo”. “Queremos ser um catalisador da diversidade”, sublinhou.

Susy Yoshimura, Diretora de Sustentabilidade e Compliance GPA, disse que não se pode mais aceitar o racismo estrutural e que a agenda da diversidade na GPA busca lançar o olhar para uma questão de suma importância: o fato de os cargos de lideranças não serem preenchidos por negros. “Precisamos desaprender, reaprender e entender que precisamos evoluir. Fazer a transformação. Chegar num momento em que  não mais precisemos discutir esse assunto”.

Roberto Ardenghy, Diretor Executivo da Petrobras, concluiu: “Estamos disseminando políticas ativas de inclusão para toda a nossa ampla cadeia produtiva e vamos seguir atuando como verdadeiros agentes de transformação no que tange as questões étnico-raciais”.

Para o Dr. Raphael Vicente, coordenador da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial e coordenador geral da Universidade Zumbi dos Palmares, o painel online significou mais um avanço na agenda permanente do movimento.

A Iniciativa Empresarial vem buscando implementar de forma objetiva uma agenda ampla e incisiva de transformação e combate ao racismo na sociedade brasileira”, enfatizou.

Veja na integra como os líderes das maiores empresas do país estão enfrentando o desafio imposto pelo racismo.