Prática é considerada racista. Em nota, a Telhanorte, organizadora do evento, afirmou que ‘repudia com veemência atos de intolerância’ e pediu desculpas pelo ‘desconforto causado devido a sua inação’.
Fonte: Marina Pinhoni, do G1
Uma mulher foi criticada nas redes sociais por utilizar uniforme de empregada doméstica e pintar o rosto de preto na noite desta terça-feira (26) em uma festa à fantasia realizada em um hotel de luxo na Avenida Luís Carlos Berrini, no bairro do Brooklin, na Zona Sul de São Paulo.
A prática conhecida como “blackface” é considerada racista e foi denunciada no Twitter por uma das participantes do evento organizado pelo “Obra Prima”, programa da empresa Telhanorte voltado para arquitetos e profissionais da área. “Não é todo dia que você pode ser o que quiser”, dizia o convite para a festa fechada para convidados.
“Semana passada recebi um convite para ir na festa à fantasia da @telhanorte. Tudo estava parecendo divertido até me deparar com essa mulher, que achou prudente ir vestida de blackface. Eu não consigo nem expressar tamanha frustração e raiva que eu senti, isso é inadmissível!!”, escreveu Ana Paula Gaspar na rede social. Ana Paula também divulgou um vídeo em que a mulher aparece se divertindo na festa e usando um espanador para bater em um tambor. “Ninguém mais por lá parecia se importar, eu abordei diversas pessoas na festa e nunca vi tanta gente cega ou tantas desculpas do porque aquilo não era ofensivo e racista! A todos os colegas de profissão e outras pessoas que estavam lá e não se importaram e agiram com naturalidade frente a um ato racista: vocês me envergonham!”, disse ainda.
Em nota, a Telhanorte afirmou que “repudia com veemência atos de intolerância e discriminação. No caso da festa, a empresa reconhece o desconforto causado devido a sua inação e pede desculpas por isso. A cultura da empresa é respeitar toda e qualquer pessoa independentemente da raça, religião ou gênero”.
Casos de ‘Blackface’
Recentemente, uma foto do primeiro-ministro do Canadá Justin Trudeau, tirada há 18 anos causou polêmica pelo “blackface”. Trudeau, que é conhecido pelas posições progressistas, aparece vestido como Alladin com o rosto pintado em uma festa temática. Ele pediu desculpas após o episódio.
O “blackface” é ofensivo porque perpetua estereótipos negativos sobre negros. Ele surgiu nos Estados Unidos no século 19, quando atores brancos usavam tinta para pintar os rostos de preto em espetáculos humorísticos, ridicularizando os personagens.
Em 2017, um professor do Acre também foi acusado de racismo nas redes sociais por se vestir de “negão do Whatsapp” em uma festa. Também em 2017, uma exposição foi criticada por escurecer digitalmente a pele de celebridades brancas.