O anúncio foi feito durante o II Encontro da Juventude Negra com o MPES
Fonte: Elaine Rodrigues, Século Diário
No dia 18 de outubro, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) anunciou que 20% das vagas de estágio no órgão serão destinadas para negros. O anúncio foi feito durante o II Encontro da Juventude Negra com o MPES, na Procuradoria Geral de Justiça, em Vitória. Segundo a procuradora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Proteção dos Direitos Humanos, Catarina Cecin Gazele, a iniciativa pretende servir de exemplo para outros órgãos no que diz respeito à inclusão social de pessoas negras.
A procuradora destaca, ainda, que o país tem uma dívida histórica com essa população. “O Brasil deve muito aos negros e negras. A dívida é grande. O que a gente puder fazer para o enfrentamento ao preconceito racial é pouco. A gente tem que fazer o máximo, mas o máximo ainda é pouco”, diz. Ela salienta que a abolição da escravatura não veio acompanhada de políticas públicas para promover a inclusão da população negra.
A reserva de vagas começa a vigorar a partir do próximo processo seletivo. De acordo com o integrante do Coletivo Negrada, João Victor Penha dos Santos, a medida faz parte de uma série de atividades que o Núcleo de Proteção dos Direitos Humanos do Ministério Público vem fazendo em parceria com movimentos ligados à luta contra o racismo. “Estamos realizando uma série de eventos, mas para não ficar só nos eventos, nos debates, surgiu a ideia da reserva de vagas”, diz.  O MPES já reserva 20% de suas vagas para promotor e servidores efetivos para negros.
Foco na população negra
A política de inclusão para negros no ingresso de estagiários foi anunciada durante o II Encontro da Juventude Negra com o MPES, cujas inscrições podem ser feitas pelo aplicativo MPES Cidadão e no dia do evento. O I Encontro da Juventude Negra com o MPES foi realizado no primeiro semestre deste ano.  “O primeiro foi mais formativo. O segundo está mais focado em encaminhamentos”, diz João Victor. O evento terá três palestrantes homens e três mulheres. Todos negros e negras. Assim, além da questão racial, garante-se a paridade de gênero. A programação tem foco principal na questão do extermínio da juventude negra.
“Discutimos que o extermínio da juventude negra seria o assunto principal das atividades. Vamos discutir políticas públicas de saúde e educação, por exemplo, mas entendemos que um corpo tombado não vai mais sequer ter acesso a isso e muito menos lutar por essas políticas”, explica João Victor. Uma das ações que o Negrada e também o Fórum da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes) pretendem viabilizar em parceria com o Ministério Público é a organização dos dados sobre extermínio da juventude negra. “Precisamos juntar os dados que se têm sobre o assunto, que são públicos, como os do Instituto Jones dos Santos Neves e Mapa da Violência. Com base nessas informações, o MP pode cobrar políticas públicas para enfrentar esse problema”, diz João Victor.