Recurso de comentários anônimos do bate-papo por vídeo permitiu que funcionários da empresa ressaltassem posicionamentos racistas durante reunião.

Na última quarta-feira, 03/06, um dia depois do movimento “Black Tuesday” invadir as redes sociais em apoio aos protestos nos Estados Unidos contra o racismo, o LinkedIn organizou uma espécie de fórum virtual com seus funcionários para debater o assunto. A “reunião da firma” deveria ser uma oportunidade para os funcionários discutirem como podem apoiar os protestos e também como podem melhorar as mesmas questões internamente na empresa. Porém, não demorou para que a conversa se tornasse hostil devido ao recurso de comentários anônimos do bate-papo por vídeo.

Como relataram o The Daily Beast e o The Verge, os comentários anônimos foram usados para escancarar posicionamentos racistas e questionar a eficácia dos protestos. “Negros matam negros 50 vezes mais do que os brancos matam os negros. Geralmente é o resultado da violência de gangues no centro da cidade. Onde está o clamor?”, escreveu um funcionário da empresa.

A reunião, chamada de “Standing Together”, foi hospedada na plataforma de videoconferência BlueJeans e comandada por Rosanna Durruthy, vice-presidente de diversidade da empresa, que conversou com os funcionários sobre suas experiências com preconceito. A “parte vídeo” do fórum correu como planejado, mas enquanto funcionários negros compartilhavam suas experiências como vítimas do racismo aos colegas brancos que demonstravam apoio e compreensão, no chat no BlueJeans os comentários racistas rolavam.

Um funcionário que atua no escritório de LinkedIn em Fiji escreveu: “Não é apenas um problema para os ‘brancos’ resolverem. ‘Os negros’ têm a responsabilidade de ajudar os brancos a ajudá-los”. Outros comentários pareciam minar a conversa real que muitos funcionários estavam tentando ter: “Acredito que dar privilégios a qualquer grupo racial sobre os outros é um jogo de soma zero”.

Na quinta-feira, 04/06, o CEO do LinkedIn, Ryan Roslansky, enviou aos funcionários da empresa uma nota falando sobre a “dor e frustração que sentiu por comentários terríveis compartilhados nas perguntas e respostas” do fórum. A mensagem também foi compartilhada publicamente no perfil de Ryan no próprio LinkedIn, que acrescentou: “Não somos e não seremos uma empresa ou plataforma onde o racismo ou discurso de ódio é permitido”.

por Soraia Alves B9