Conquista vem 100 anos depois de as mulheres conquistarem o direito ao voto. Em rede social, senadora mostrou o momento em que falou com Joe Biden ao telefone, logo depois da confirmação do resultado.

A senadora Kamala Harris vai se tornar a primeira mulher e a primeira negra a ocupar a vice-presidência dos Estados Unidos, 100 anos depois de as mulheres conquistarem o direito ao voto.

Kamala Harris compartilhou nas redes sociais o momento em que falou com Joe Biden ao telefone, logo depois da confirmação do resultado: “Conseguimos, Joe. Você vai ser o próximo presidente dos Estados Unidos”.

Aos 56 anos, ela é um símbolo da diversidade da sociedade americana. É filha de dois imigrantes: mãe indiana e pai jamaicano. Depois do divórcio dos pais, foi criada pela mãe, uma pesquisadora de câncer, que morreu em 2009.

A historiadora Martha Jones, da Universidade Johns Hopkins, conta que as mulheres negras foram importantes na luta pelo voto feminino e pelos direitos civis. E a vice-presidente eleita é fruto dessa luta.

“A escolha de Kamala Harris é a realização do sonho de várias gerações de mulheres negras nesse país. Mas ao mesmo tempo é um peso muito grande para qualquer pessoa carregar”, diz.

Kamala foi promotora de Justiça e procuradora-geral na Califórnia, especializada em casos de violência doméstica e exploração de crianças. Levou o estilo combativo de promotora a Washington em 2016, quando se tornou apenas a segunda mulher negra no Senado americano.

Chegou a disputar as prévias do Partido Democrata para escolha do candidato do partido à presidência. Em um debate, criticou duramente Biden por ter defendido a reputação de dois senadores que apoiavam a segregação racial. Biden respondeu que isso era uma distorção dos fatos e lembrou que sempre atuou em defesa dos direitos civis desde que entrou para a política. Acabou desistindo da candidatura própria, e passou a apoiar Biden.

Durante os protestos este ano contra as mortes de negros por policiais, encontrou lideranças do movimento Vidas Negras Importam e passou a defender a reforma da polícia.

Ano passado, criticou o presidente Jair Bolsonaro por causa das queimadas. Disse que o presidente Donald Trump não deveria buscar um acordo comercial com o Brasil até Bolsonaro reverter as políticas catastróficas e lidar com os incêndios.

É casada com um advogado judeu, que tem duas filhas de um casamento anterior.

Nas redes sociais, disse: “Esta eleição é sobre muito mais do que Joe Biden ou eu. É sobre a alma da América e nossa vontade de lutar por ela. Temos muito trabalho pela frente. Vamos começar”.

Martha Jones não descarta a possibilidade de, no futuro, a agora vice-presidente eleita se tornar a primeira mulher a chegar à presidência americana. “É o que espero. Será o momento de uma mudança de geração no poder. Biden tinha uma lista de seis mulheres negras para escolher a vice-presidente. Então, acho que ela terá algumas concorrentes. E isso é saudável para a democracia”, declarou.