José Rubino de Oliveira foi amigo de Luiz Gama e deu aulas no Largo São Francisco ainda durante a escravidão.

Nesta quinta-feira (24), a Congregação da Faculdade Direito da USP decidiu, por unanimidade, nomear o auditório do primeiro andar do prédio no Largo São Francisco em homenagem a José Rubino de Oliveira, o primeiro professor negro da casa.

Rubino de Oliveira formou-se na faculdade em 1864, e passou no concurso para professor de direito administrativo em 1879, período em que o Brasil ainda se estruturava pelo regime escravocrata.

Amigo de Luiz Gama, Joaquim Nabuco e Castro Alves, “advogou a causa abolicionista nos tribunais com grande êxito, conseguindo libertar muitos escravos do jugo da escravidão”, segundo nota divulgada pela faculdade.

Nascido em Sorocaba, em 1837, foi para a capital do estado em 1859, a fim de ingressar no Seminário Episcopal de São Paulo, de onde saiu em 1863 para entrar no curso de direito.

A iniciativa da homenagem foi do Centro Acadêmico 11 de Agosto, que representa os estudantes da faculdade e coletou quase mil assinaturas de alunos em apoio.

“Rubino está eternizado na SanFran como representante da luta histórica de negros e negras. O reconhecimento ajuda a dar relevância às pessoas negras que participaram da criação e desenvolvimentos da nossa faculdade”, diz Letícia Chagas, presidente do centro acadêmico.

“Rubino é exemplo de dedicação, de vitória. Ultrapassou obstáculos em um tempo que o preconceito atingia dimensões gigantescas. Além de ser um administrativista à frente do seu tempo”, afirmou o diretor da Faculdade de Direito, Floriano de Azevedo Marques Neto.

O professor Rubino de Oliveira morreu em 1891, apenas três anos após a abolição legal da escravatura.

A Faculdade de Direito da USP aprovou cotas de ingresso para alunos pretos, pardos e indígenas através do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) em 2017, 126 anos após a morte de Rubino de Oliveira.