Humorista e youtuber faz vídeo que ironiza alguns comentários feitos, em sua maioria, por mulheres brancas
Fonte: Nathália Geraldo, de Universa
O humorista e youtuber Yuri Marçal fez uma versão em vídeo de uma “esquerdomina”, repetindo alguns bordões e comentários que, via de regra, são feitos por mulheres brancas a respeito das questões raciais e da vivências de homens e mulheres negras no cotidiano. “Eu vi de perto a pobreza, quando fiz minha pós em Bangladesh”, diz o ator, enquanto fala com um interlocutor imaginário e muda sua voz para interpretar a “esquerdomina”. A sátira, com mais de 38 mil likes no Twitter, mexeu com as mulheres.
As que se identificariam com a mulher de esquerda retratada na gravação disseram que se sentiram “aliviadas” por não reproduzirem algum dos comentários racistas elencados pelo comediante, como “Meu cabelo é um pouquinho cacheado. Por isso eu, Pollyana Roffman Strudell, não me considero branca” e “eu acho a miscigenação uma coisa linda”. Vale lembrar que, para algumas mulheres negras, o fato de manter o cabelo natural — crespo ou cacheado — é considerado um ato de resistência e quebra do padrão de beleza feminino. O cabelo é assunto de outras duas frases reproduzidas por Yuri no vídeo.
“Nós mulheres temos que exaltar a beleza das nossas…Mas, poxa, Andressa, você podia colocar umas tranças, né?” e “Meu cabelo é um pouquinho cacheado, por isso que eu não me considero branca”. Parte dos comentários concordando com as provocações humoradas de Yuri veio de mulheres negras. “Sou de Yemanja pq adoro praia é o AUGEEEEEEE”, comentou uma, endossando a crítica do humorista sobre pessoas que não fazem parte dos preceitos do candomblé ou da umbanda, mas tentam se aproximar das práticas.
Yuri também comentou a percepção de muitas mulheres que colocam o machismo e o racismo no mesmo nível de preocupação social. “Eu entendo sua luta, até porque o machismo é igualzinho ao racismo”, diz o humorista na gravação, satirizando. Uma seguidora rebateu essa lógica: “O vídeo ia super bem até ele achar uma brecha pra diminuir/ironizar a questão do machismo… São coisas que nem eu nem você temos o direito de colocar em uma balança”, disse.