Nem só dos caros produtos Fenty Beauty é feito o mercado de beleza para peles pretas. Empresas de make nacionais estão preocupadas em atender a diversidade de tons de suas clientes. E algumas delas surgiram justamente a partir da experiência das agora empresárias que não conseguiam encontrar itens adequados para elas mesmas.

Foi o que aconteceu com a empresária gaúcha Rosane Terragno, fundadora da Divas Bllack. Dona de uma loja de maquiagens em Porto Alegre, ela percebeu a ausência de produtos para a cútis preta nas prateleiras e a frustração das clientes que não se sentiam representadas no segmento da beleza.

Ela até buscava fornecedores que tivessem, no mínimo, dois tons para pele negra. “Mas eles sempre focaram nas negras de pele clara e, quando faziam para pele mais escura, não funcionava, os produtos deixavam a pela rosada ou acinzentada?”, contou.

Foi aí que surgiu a ideia de criar a própria marca. A Divas Bllack nasceu em 2018 com o diferencial não só na paleta de sombras e pó translúcido, mas especialmente em uma linha inteira voltada para a beleza negra. Os carros-chefes são os seis tons de base que levam o nome de mulheres fortes como Dandara, em homenagem à esposa de Zumbi dos Palmares.

Beleza negra em pauta

Dados da pesquisa “A Voz e a Vez: Diversidade no Mercado de Consumo e Empreendedorismo”, do Instituto Locomotiva, afirmam que a população negra movimenta, anualmente, R$ 1,7 trilhão no país. Isso mesmo recebendo, em média, R$ 1,2 mil a menos no mercado de trabalho.

A ideia de marcas como a Divas Bllack é valorizar a identidade preta por meio de produtos de beleza e bem-estar. E incentivar o potencial de consumo de marcas negras e que tenham compromisso com a diversidade.

Entretanto, não é apenas a preocupação com os tons de pele que está em pauta no empreendedorismo afro da beleza. “A gente fala muito de base, mas se esquece de cores de batom, por exemplo, que poderiam valorizar mais nossos lábios”, acredita o maquiador Tássio Santos. “No caso dos produtos para a pele, outras características também são importantes como cobertura, textura e acabamento”, completa.

Conheça a seguir outras seis marcas de beleza, de maquiagem a itens de wellness, criadas por negras que quebraram paradigmas e enxergaram o potencial consumidor deste público.

Criada pela blogueira e youtuber Rosangela Silva, em parceria com a sócia Ana Heller, a Negra Rosa apresenta maquiagens e itens para cabelos. Na linha de make, bases e pós são exclusivos para a pele negra. “Os produtos têm o meu olhar, o olhar de uma mulher negra para outra mulher negra, um conceito todo especial para realçar a nossa beleza”, diz Rosangela no site da marca.

A marca traz uma série de produtos para o bem-estar da mulher negra, desde toucas para acomodar cabelos durante a natação até peças de moda esportiva. Destaque para a linha de maquiagens conhecida como Nubia.Afri, que tem a negra Michele Eduardo no comando.

São produtos feitos no Brasil e sem ingredientes de origem animal, com um portfólio que apresenta seis tons de pó compacto e cinco de base líquida. “Nossa ancestralidade faz com que genuinamente tenhamos o propósito de facilitar o acesso da população negra a produtos que foram pensados e concebidos por nós e para nós”, afirmam Michele Eduardo e o marido, Maurício Delfino, nas redes sociais.

A história da empresa familiar começa em meados da década de 90, quando a ex-empregada doméstica Sandra Silva e as filhas, Sheila e Shirley, abriram um pequeno salão de beleza. Observando a necessidade das clientes, em 2012, elas desenvolveram a Makeda Cosméticos com produtos para cabelos crespos e cacheados.

Cinco anos depois, investiram em um espaço de beleza no centro de São Paulo que leva o nome da família. Hoje, conta com produtos como shampoo nutritivo, umidificador e ativador de cachos. Todos são naturais, com base em óleos vegetais, sem sal, parabenos ou sulfatos.

Em abril, Sandra faleceu. Mas a marca continua sendo tocada pelas filhas.

A Muene foi a primeira linha de maquiagem para negras no Brasil. Há mais de 30 anos, a advogada Maria do Carmo, hoje com quase 90 anos, apostou neste segmento e descobriu um nicho de mercado a partir da própria experiência. Ela simplesmente não encontrava make para o seu tom de pele. A Muene Cosméticos apresenta uma linha completa de make para negras e miscigenadas, de base hidratada até corretivos, pó, bases, blush, batons e muito mais.

A empreendedora mineira Karla Lopes conta que a Lunna nasceu como uma reconexão pessoal. “Estava passando por um momento difícil e tentei encontrar dentro de mim a cura para superar aquela fase. Com isso, me reconectei com minha ancestralidade e trouxe de volta o uso de ervas que era extremamente presente na minha infância”, explica.

Assim, suas referências de chás, compressas e benzedeiras se transformou em negócio. Em 2019, ela criou a Lunna, uma marca de wellness com incensos, aromatizadores, velas, escalda pés, bálsamos e óleos energéticos. “É um convite à pausa e reconexão em tempos de rotinas tão atribuladas. A ideia é que as pessoas se sintam acolhidas”, reflete.

A marca surgiu a partir das pesquisas da educadora Daniela Santos, que percebeu a estética como elemento fundamental na construção de identidade negra. A SoulBrio trabalha com produtos veganos para cuidados de cabelos com dreads e fibras. São itens para lavar, hidratar e perfumar as tranças afro, como óleos, xampu, leave-in, spray, entre outros.

A marca surgiu a partir das pesquisas da educadora Daniela Santos, que percebeu a estética como elemento fundamental na construção de identidade negra. Com isso, a SoulBrio trabalha com produtos veganos para cuidados de cabelos com dreads e fibras. São itens para lavar, hidratar e perfumar as tranças afro, como óleos, shampoo, leave-in, spray, entre outros.