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17/12/2017

Imagem: Da esquerda para a direita, Fabian Gil (Dow), Gaetano Crupi (Presidente da Brystol-Myers Squibb), Marcelo Castelli (Presidente da Fibria), Paula Bellizia (presidente Microsoft), Raquel Maia (Presidente da Pandora), Theo Van Der Loo (presidente da Bayer) e Sergio Gallindo (presidente da Brasscon).

 

CEOs das maiores empresas debatem a inclusão do negro no mercado de trabalho

O Seminário ‘Jornadas da Diversidade’ com o tema ‘A Inclusão Racial, um olhar para o futuro: o papel da iniciativa privada na eliminação do preconceito, viés inconsciente e da discriminação’, promovido pela Faculdade Zumbi dos Palmares e Afrobras, em 16 de novembro, no Hotel Renaissance, em São Paulo, reuniu seis CEOs de empresas de grande destaque no cenário nacional e internacional. A atividade contou com a participação de mais de 250 pessoas.

Atualmente a Iniciativa empresa- rial pela Igualdade conta com as maiores empresas do país que se tornaram signatárias dos 10 Compromissos com a Promoção da Igualdade, além do Poder Público. São elas: Bradesco, Coca-Cola, Carrefour, Dow, Dupont, Google, Itaú, Microsoft, PWC, Fundação Banco do Brasil, Magazine Luiza, Santander, Unilever, ABBI, Brasscom, Febraban, FECOMER- CIOSP, Amprotec, Ministério da Indústria, OAB Conselho Federal, Ministério da Educação, TRT 15a.

Na ocasião, a empresa SAP assinou a Carta de Compromisso pela Igualdade.

O reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares José Vicente abriu o evento falando sobre a importância do encontro das principais empresas do país em prol da mudança do mercado que favoreça a inclusão do negro. “A ampliação da presença, a criação de políticas internas de promoção e manutenção dos afrodescendentes nas grandes, pequenas e médias corporações, constitui elemento essencial de modificação do cenário econômico social no Brasil, superando a resistência às mudanças no cenário das desigualdades raciais”, afirmou José Vicente.

Na sequência, o desembargador e ex-presidente do TRT, Lourival Ferreira, falou emocionado da sua história, das conquistas e lutas para esta inclusão e, finalizando a abertura, o Vice-Procurador-Geral do Trabalho, Otavio Brito, pontuou que a sociedade deve ser mais participativa.

Em seguida, aconteceu a explanação de Renato Meirelles, presidente do Instituto de Pesquisa Locomotiva, sobre a pesquisa inédita que realizou em relação à participação do negro no mercado de trabalho no Brasil até que chegasse o momento do esperado encontro dos CEOs das principais empresas. Na pauta chamada “A Voz dos Presidentes”, a mesa contou com a participação de Rachel Maia, presidente da Pandora; Paula Bellizia, presidente da Microsoft; Theo Van Der Loo, presidente da Bayer; Gaetano Crupi, presidente da Bristol-Myers Squibb; Fernando Fernandez, presidente da Unilever; Marcelo Castelli, presidente da Fibria e Sergio Paulo Galindo, presidente da BRASSCOM. Todos os seis CEOs concordam que inclusão social é um movimento que só ganha força e espaço se vier de cima para baixo e não ficar restrito a ações pontuais do setor de RH. “Deve ser como um farol iluminando os barcos que estão atracando no porto”, diz Gaetano Crupi, presidente da Bristol Myers, que disse ainda que, na sua gestão as mulheres são a grande maioria nos cargos de gerência e diretoria e que trabalha com muito afinco a questão da inclusão do negro. O gestor precisa se mostrar, como Theo Van Der Loo, presidente da Bayer, definiu ao afirmar: “É importante os funcionários verem o CEO falando de forma genuína sobre inclusão, sobre contratarmos negros. Elas se inspiram”. Não que tenha sido ou já seja uma tarefa fácil. “A Bayer não é perfeita, existe gente racista. Muitos gestores acham legal o que estamos falando, mas pensam: “ah, o outro gestor vai contratar o negro, eu não preciso fazer isso… Deve ser o oposto, porque se cada vez mais empresas contratarem mais, conseguiremos acabar com a desigualdade racial”.

Já Paula Bellizia, presidente da Microsoft, disse que é possível desenvolver um comportamento mais inclusivo e que isso deve acontecer dentro de casa com a educação dos filhos, ao desenraizar certos conceitos e descartar o que ela definiu como “vieses inconscientes”. “Precisamos treinar mais pessoas para falar de diversidade nas empresas. Temos de eliminar esses vieses que carregam preconceito e, às vezes, nem percebemos”.

O CEO da Dow na América Latina, o argentino Fabian Gil, enfatizou o seguinte: “Tem aquele mito do negro não ser preparado. Mas, me diz o que é ser preparado? Se encontrarmos candidatos com inteligência emocional, coragem, que exploram os limites, mas que não falam inglês, posso ensinar, diante de tantas habilidades, isto é o mais fácil”, diz Gil. Fabian defendeu ainda que ações concretas que visam inclusão e diversidade, só acontecem quando existe comprometimento pessoal dos gestores. No caso da Dow, ele estabeleceu como meta pessoal de seu legado atingir 30% de funcionários negros. Atualmente, são 20%, mas somente 8% destes trabalham em escritórios. O restante está locado nas fábricas. “É algo que está na minha mão”, diz.

Os presentes foram então desafiados pelo mediador, Renato Meirelles, a falarem sobre como mudar a situação do negro no mercado de trabalho. A primeira a responder foi Rachel Maia, CEO da Pandora, única negra na mesa, que disse “se a empresa não oferecer oportunidade, a dica é ir e quebrar a cara mesmo” e acrescentou: “Uma hora, uma empresa vai ter que te aceitar, assim como tiveram que me aceitar”. Rachel é hoje uma das executivas mais admiradas quando se fala de inclusão e diversidade. Ela é um case de sucesso. Afinal, como gosta sempre de lembrar, representa “0,4% do universo de presidentes que são mulheres negras” e, durante o seminário, ela sugeriu que todos que fazem parte da cúpula do corporativo transformem a sua visão afirmando: “precisamos pensar grande e nos organizar”.

Após a explanação de todos os CEOs, foi anunciado por Anderson Pereira, diretor geral da Universia Brasil, a criação de um Portal que inclui o ‘Banco de Talentos’, uma Plataforma de Ensino, Banco de Negócios – Incubadora e Aceleradora.

Ao longo do seminário, as mesas continuaram apresentando cases de sucesso e debatendo mudanças que as empresas estão realizando, bem como trocando experiências para novas ações afirmativas que precisam ser tomadas para a inclusão do negro.

O Projeto iniciativa Empresarial pela Igualdade é uma plataforma de articulação desenvolvida e liderada pela ONG Afrobras e pela Faculdade Zumbi dos Palmares, em parceria com a iniciativa privada para abordar de forma ampla o tema da diversidade étnico-racial no mercado de trabalho.

 

Fonte: Afirmativa Plural, Ed. 57

Postado por: Iniciativa Empresarial pela Igualdade | www.iniciativaempresarial.com.br

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