As ações do Carrefour Brasil caem 5,1%, a R$ 19,35, maior queda do Ibovespa nesta segunda-feira (23). Na França, as ações do Grupo Carrefour caem 2,2%, a 13,51 euros (R$ 86,67).

Na quinta (19), João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos conhecido como Beto Freitas, foi assassinado por seguranças da unidade do Carrefour de Porto Alegre (RS), gerando protestos pelo país na sexta (20).

Ações do Carrefour caem mais de 4%

As ações do Carrefour Brasil recuam 4,22%, a R$ 19,53, no início do pregão desta segunda-feira (23). Na última quinta (19), João Alberto Freitas, 40, foi espancado e morto por seguranças em uma das unidades do supermercado em Porto Alegre (RS).

O Ibovespa, índice de referência na Bolsa brasileira, sobe 0,86%, a 106.963 pontos.

As ações do grupo Carrefour na Bolsa de Paris caem 2,4%, a 13,48 euros, enquanto o índice francês sobe 0,4%.

Dólar sobe 1,4% para R$ 5,39; Bolsa cai e ação do Carrefour sobe

O dólar saltou 1,4% ante o real nesta sexta-feira (20), a R$ 5,3880, conforme investidores aproveitaram para comprar dólares após baixas ao longo da semana. O turismo está a R$ 5,547.

O ganho desta sexta é o maior desde 28 de outubro, quando a cotação saltou 1,42%. Na quinta, o dólar havia fechado em R$ 5,3131, mínima em mais de dois meses.

A Bolsa brasileira fechou em queda de 0,6%, a 106 mil pontos.

Apesar de protestos contra a morte de Beto Freitas em uma loja do Carrefour em Porto Alegre, as ações da companhia fecharam em alta de 0,5%, a R$ 20,39.

O pregão foi instável no exterior, em meio a temores sobre disparada de casos de Covid-19 nos Estados Unidos e a discussão sobre a redução de recursos para empréstimos emergenciais do Fed (banco central americano).

O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, anunciou na quinta que permitiria que os principais programas de empréstimo para pandemia do Fed expirassem no final do ano, dizendo que os US$ 455 bilhões de alocados na primavera passada (do hemisfério norte) sob a lei CARES deveriam retornar ao Congresso para serem realocados como garantias para pequenas empresas.

A decisão de suspender os programas de empréstimos considerados essenciais pelo banco central ocorre em um momento de novas infecções por coronavírus e em meio a uma nova onda de demissões, e foi considerada “decepcionante” pelo presidente do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans.

Nos EUA, o S&P 500 caiu 0,68%, Dow Jones teve queda de 0,75% e Nasdaq, de 0,42%.

No Brasil, investidores seguem preocupado com o rumo fiscal do país.

Alguns operadores citaram fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, feita na véspera, como catalisador para a desvalorização do real. Em evento na noite de quinta (19), Guedes disse que uma forma de reduzir a dívida pública é por meio de venda de ativos, privatizações, desalavancagem de bancos públicos e até venda de reservas internacionais.

Uma leitura das palavras do ministro é que corte de gastos, a principal demanda do mercado, estaria para baixo na lista de prioridades.

Sobre venda de reservas, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, admitiu nesta sexta que essa ação entra no cardápio do governo para redução da dívida bruta, mas pontuou que quem decide a respeito é o Banco Central. Questionado a respeito, Waldery defendeu que a fala do ministro “entrou num contexto de uma gestão macroeconômica mais integrada e melhor feita, melhor desenhada”.

Rogério Braga, sócio e gestor de fundos na Quantitas Gestão de Recursos, disse que a a repercussão da fala de Guedes sobre a venda de reservas se deu mais porque ocorreu na mesma semana em que o Banco Central sinalizou venda líquida de dólares para ajudar o mercado a lidar com a demanda típica de fim de ano.

Na visão de Braga, a discussão sobre corte de gastos está em curso, mas o momento eleitoral acaba desestimulando o tratamento em público dessa questão.

Na semana, o dólar ainda fechou em queda de 1,61%. Em novembro, a moeda recua 6,12%, mas ainda salta 34,24% em 2020.

Apesar das instabilidades, alguns analistas têm visto melhora no cenário para o real. Na avaliação de Gabriel Gersztein, estrategista-chefe global para mercados emergentes do BNP Paribas, uma apreciação do real é “inevitável” e o dólar poderá cair “mais perto de” R$ 4 e R$ 4,25 ao fim de 2021, considerando um manejo fiscal responsável.

“O Brasil tem várias estrelas que estão se alinhando: (crescimento da) China, dólar fraco, retomada econômica global, gringo ainda ‘subinvestido’ no país”, disse Gersztein.